terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Entregue!


Acabou!
Está entregue!
Abram-se as melhores garrafas de vinho, asse-se o melhor porco no espeto!
Haja festa e alegria, haja dança e folia.
Hoje, hoje durmo com menos uma preocupação.
Outras ganham relevo, mas esta, pelo menos esta, desapareceu.
Não acabou o trabalho a ela relativo, longe disso, mas a obrigatoriedade, e pressa, a necessidade, o prazo, tudo isso já se foi!
Ah que bom!
Hoje estou na cama a descansar e a recuperar das poucas horas dormidas ontem.
Amanhã, bem amanhã estarei longe e certamente, possa eu, a saltar, suar e gritar.
Mas desta feita de felicidade e alegria.
Ou assim espero!
Acabou!

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

sentimento piramidal


A verdade é que tenho saudades tuas.
Aí está.
Espantada?
Porque deverias ficar?
Nunca o escondi.
Já te conjurei de todas as maneiras mas teimas sempre em não aparecer.
Já te chamei, já te gritei aos quatro ventos em noites de lua cheia à beira-mar.
Já levei comigo o teu nome no meu coração a cada canto da Europa e a uns quantos do mundo.
Mas nunca te consegui ver.
Em lado nenhum.
E agora estou cansado.
Tão cansado.
Mas tenho saudades tuas.
Essa é a verdade.
Aí está.
E agora?
Foges mais ainda?
Apareces de uma vez?
Dizes-me a solução sem que eu a consiga novamente perceber e continue neste redemoinho de frustrações e tristezas?
Rastejava por entre um campo minado, esgueirava-me por entre um roseiral com particularmente afiados espinhos, tudo para nos teus braços me voltar a encontrar.
Mas aqui num sofá me encontro.
É fácil ser poeta quando o único sofrimento que se conhece é o dos outros.
É fácil cantar o amor e a dor, quando nos é dada a letra previamente escrita.
É tão, tão fácil descrever o sofrimento de perda, de desorientação, de insatisfação quando temos acesso a uma vasta biblioteca e conseguimos apreender o que lá é escrito.
Mas é tão mais difícil sobreviver e conviver com esses mesmos sentimentos e vicissitudes.
E eu tenho que o fazer.
A verdade?
Tu queres lá saber da verdade…
Eu já tentei por tantas vezes dizer-te o estado em que me encontro.
Já tentei mostrar-te tudo simplesmente à espera de ti, de algo, de..
Estou cansado.
A verdade é só esta: tenho saudades tuas.
Imensas.
Inúmeras.
Intensas.
Tantas..

Essa é a verdade.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

A fragrância de cada um



"Se fossemos todos lindos e bonitos o Hitler teria ganho!"

Infelizmente não é minha a autoria desta frase mas de um músico excepcional, dotado de umas cordas vocais dignas de palcos muito maiores dos que actualmente trilha e com uma atitude extremamente próxima da que eu próprio pratico.
"Was I too cruel or too kind?"
Quantas e quantas vezes já me questionei sobre isto.
Eu e vários amigos em tertúlias masculinas variadas, com um infindável rol de bebidas de diferentes teores alcoólicos nas mãos a fazermos balancetes mentais das nossas relações passadas e actuais, na perspectiva de chegar a uma conclusão universal..
E quando o conseguíamos qual era essa?
Bem, era que frequentes vezes o "too cruel" era sempre o que se safava, e o "too kind" o que sofria.
Dizem que os homens são distantes e pouco em contacto com os seus sentimentos.
Eu digo que as mulheres é que nos fazem assim.
Em algum ponto das nossas vidas conseguem a proeza de nos ter completa e totalmente apaixonados por elas e depois?
Desfazem o nosso coração em pedaços tão pequenos que um mestre relojoeiro suíço teria que mandar fazer um óculo especial para os conseguir identificar a todos entre as lágrimas e cabelos arrancados.
Sim, mulheres deste mundo, a conclusão que todos os homens chegam nalgum ponto das suas vidas, é que tratar-vos mal é o melhor que vos podemos fazer.
Simplesmente uns (homens) tem menos dificuldade em fazê-lo que outros (homens).
E outras (mulheres) aguentam mais tempo os maus tratos de nós (homens) que outras (mulheres).
A cortina de tempo que separa os dois géneros é vastas vezes aquela que permite a uma relação ser bem sucedida (porque o equilíbrio acabou por ser encontrado) e frustrada (porque cada um começou a exigir ainda mais do outro).
É tão complicado e eu sei tão pouco.
E sou tão levado pela beleza..
Eventualmente não tanto quanto julgo, pois de outra forma ter-me-ia deixado levar em varias situações em que a beleza (ela) não fazia ideia de quem era a razão (eu).
Mas ainda assim..
Quando a tenho nos braços, os seus belos e intensos olhos cerrados nos meus, a essência do seu odor próprio a invadir as minhas narinas como um tsunami odorífico é muito complicado dizer que não.

É como adormecer quem sou, mas só por um bocado..

domingo, 1 de Novembro de 2009

One bullet left


Ele caminha pela escuridão.
O peso e o frio do que carrega no bolso da mão direita batem contra a perna a cada passo que dá.
Os candeeiros alternam-se entre os apagados e os mal acesos.
Por cada 3 apagados um está aceso, ou assim parece..
O efeito da dose começava a passar e desesperadamente procurava alguém que de novo lho proporcionasse.
Não tinha dinheiro, não tinha relógio nem telemóvel.
Só a roupa e uma arma.
A dor que lhe consumia o pensamento aumentava e latejava-lhe nas têmporas como a batida de uma qualquer musica no PACHA em Ibiza.

- Pah, preciso que me arranjes qualquer coisa pah!
- Então? 'Tás-te a passar?
- Pah! Arranja-me qualquer coisa! Arranja-me qualquer coisa!
- Calma bacano! Como é que 'tás de guito?

Ele põe a mão ao bolso, retira o seu conteúdo e cola-o à testa do seu interlocutor

- Só tenho isto para te pagar!

Lívido, o dealer fica sem saber o que fazer, enquanto ele treme por todos os lados de arma em riste apontada a um ser humano que naquele momento para ele não era mais do que a solução (ainda que temporária) para tudo o que o atormentava.

Era um dos condenados.
Numa noite húmida e quente, nessa cidade de Lisboa, dois homens se olham de frente.
A resposta de que se fala, procura-a desesperadamente, numa arma com uma bala.

sábado, 31 de Outubro de 2009

Numa ilha ao luar


Uma ilha no Atlântico!
A hora tardia de um dia difícil.
A luminosidade de um corpo celeste reflectida em outro como um casal que se revê na sua cara-metade.
Um tranquilo embalar de calmas ondas provenientes do lado de lá do mundo.
O lado de lá da Terra.
Um par de olhos que brilham para o infinito.
Um coração que bate.
Uma mão que sente.
Alguém que está longe mas aqui presente.
Sem noticias, sem respostas..
Estão as cartas postas!
Fica a esperança, fica a vontade!
Fica a recordação de uma tarde..

Ao deitar na cama envolto em pensamentos distantes,
sente-a tomar conta de sua mente, ela, ....andes....

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

teenage wisdom



Quinze anos e já tão grande!

Pois é priminha, tens dois primos que gostam muito de ti.
A vida não é fácil para alguém assim.
Mas nada nunca o é.
Gostei de ouvir o que me disseste e fico honrado com a confiança que depositaste em mim.
Espero que penses um pouco no que te disse.
Não conseguimos alinhar as estrelas, mas conseguimos caminhar por entre o firmamento.
Desvia-te dos meteoritos e apanha boleia dos cometas.
Chegarás sem duvida à tua estrela.
Estamos todos cá para ti!

The WILL to work


Finalmente voltou o Sol!
E com ele parece regressada, enfim, a minha vontade de trabalhar.
Pelo menos depois de uma manhã já passada em frente ao computador acho que posso respirar um pouco de alivio...
Com 6 dias de atraso efectivo e apenas mais 4 para a data que me auto-propus espero que a mesma (vontade) não fuja ou desapareça muito depressa.
Não sem antes terminar o que tenho para fazer.
Sim, porque as vontades são de signo gémeos: muito inconstantes!
Esperemos que esta seja como o Oceano: permanente!

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

the deepest blues


É o final do dia que eu mais temia.
É o por do sol que mais me atormentava.
A derradeira despedida.
O adeus ao que tinha, ao que tive, ao que julgava ter.
A noite mais longa havia passado.
Jazia na areia um homem atormentado.
O Sol subiu e desceu e meu corpo, minha pele aqueceu.
Ebrio de emoção, pesar e medo.
Ás estrelas que se levantam aponto o dedo.
É o fim do dia que eu mais temia.
A realidade tomou conta da minha vida.
De estomago vazio, de coração frio.
Um homem jaz inerte, esperando um beijo que o desperte.
A tela cosmica muda de cor camaleonicamente como os seus olhos sob a luz do Sol.
O Sol.
O Sol que amo e anseio, que durante tanto tempo venerei e que agora quem sabe quando terei.
Acabou-se!
Crescer ou sofrer.
Desistir ou querer.
Perdido além no Oceano em frente está o ultimo resquício de humanidade que tenho.
Á deriva na imensidão de liquido azul está o unico pedaço de coração que possuo.
É o final do dia que eu mais temia.

sábado, 10 de Outubro de 2009

Elogio à Estupidez


Em 1509, Erasmus de Roterdão escreveu uma obra marcante: Elogio à Loucura!
O titulo tem inúmeros significados escondidos, um dos mais conhecidos prende-se com o facto de ele ter dedicado a obra a Sir Thomas More (no latim Loucura diz-se Moriae – daí o titulo Moriae Encomium), de quem era amigo e companheiro de discussão e que por sua vez tinha escrito a obra Utopia, também ela de carácter marcante.
O contexto das suas obras era fundamentalmente religioso, sendo que ambos eram fervorosos católicos que entraram em desacordo com o rumo que a igreja estava a seguir e a orientar os fieis (os loucos eram os fieis que acreditavam em tudo quanto lhes era dito).

Cinco séculos mais tarde, alguém deveria escrever o Elogio à Estupidez!
Abstendo-me de entrar em partidarismos e politiquices, tenho que admitir aqui que foi com desapontamento, espanto e até uma certa consternação que vi os resultados das eleições legislativas passadas.
Admito também que muita areia possa ter sido atirada para os olhos da população nos últimos tempos, e ainda concedo que a principal alternativa de governo, ainda que inquestionavelmente capaz e preparada, tinha uma falha enorme, imperdoável nestes meandros de quem se propõe a sufrágio: carisma!
Mas ainda assim….
Depois de tantas greves, tantas manifestações, tanta critica, tanto descontentamento, tanta frustração…
De novo a maioria (ainda que relativa) a alguém que em 4 anos despertou todos estes sentimentos é algo que me ultrapassa.
Decerto não terei a amplitude intelectual necessária a compreender fenómeno tão interessante e certamente complexo como este, mas de facto adorava que mo conseguissem fazer perceber.
É que eu quanto me sinto amordaçado, aprisionado, encorrilhado, desiludido, ludibriado, frustrado, limitado e espezinhado tenho uma tendência, que achava ser natural no ser humano, de me revoltar contra quem me oprime.
Sempre pensei que isso fosse comum a todos nós, a todos os que vivem, pensam e por cá habitam.
Pelos vistos não..
Serei de facto só eu.
Mais uma vez: politiquices aparte até porque eu sou adepto de uma renovação completa e total da classe politica portuguesa (e até talvez europeia) por forma a motivar de novo o povo para a mesma, e como tal não sou partidário de nenhuma, NENHUMA ideologia politica.
Só esperava, e acho que não era algo assim tão fantasista depois de ver todas as demonstrações de descontentamento que diariamente faziam as parangonas dos jornais e as entradas dos boletins informativos, que “o povo” (aquele que supostamente é quem, de facto, “mais ordena”) se rebelasse contra quem o, a fazer crer nas supracitadas, ostracizava.
Pelos vistos não.
Por esse facto, e por eu não o compreender aqui deixo o meu elogio.
Um Elogio à Estupidez!

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Nightmare - pt1


Com o cano da arma apontado à testa, o pai olha para o filho e pergunta-lhe:
- Tens algum recado para os avós?
A criança, paralisada e em choque limita-se a murmurar:
- N.. não..
Dá-se o disparo.
O corpo cai por terra.
Gotículas de sangue escorrem das paredes em volta e a cabeça desfeita olha para ele marcando-o para todo o sempre.
Passos que se afastam e nem um sussurro dos restantes que presenciaram a cena.
Um dia como os outros. Simplesmente hoje foi a vez de alguém próximo.
Ninguém o consegue afastar dali.
Passam-se horas, põe-se o Sol, eleva-se no céu a Lua em quarto crescente, e ele não se move. Tão pouco fala.
No dia seguinte de manhã encontram-no desmaiado junto à massa de sangue que no entretanto já chamou a si centenas de moscas, perpetuas interesseiras nos resquícios de humanidade e únicas capazes de se regozijar com tais eventos.
Quando acorda está num dos beliches próximos da porta, o Sol está alto e ele grogue.
Não se recorda imediatamente do que aconteceu.
Quando o faz, vomita.
Nada tinha no estômago, mas bílis e outros líquidos escorrem-lhe em soluços.
Um pano é-lhe atirado para os pés da cama.
- Limpa isso tudo! Somos mais aqui dentro!
A indiferença era a palavra de ordem, e a única maneira que haviam encontrado ao longo do tempo para sobreviver ao que ali acontecia.
Ele não chorou!
Nem aí, nem nunca mais.

3 anos depois, agora com 9 anos, é liberto e posto numa casa de acolhimento.
Rejeita o carinho, a atenção e a compreensão daqueles que o recebem,
Pela primeira vez vai para uma escola a sério, com professores a sério, colegas a sério e um uniforme a sério.
Revela-se um aluno brilhante e altamente capaz.
Não fala com ninguém e as únicas palavras que emite são numa língua incompreensível para todos que o rodeiam.
Dois anos depois foge de casa, deambula pelas ruas.
Começa a pedir, acaba por roubar.
É apanhado e entregue de volta aos pais adoptivos.
É castigado e tem as janelas e porta do quarto trancadas para não voltar a fugir.
Regressa à escola.
As sessões de pancadaria sucedem-se.
A nova mãe vai buscá-lo à enfermaria com o nariz partido.
Preocupada pergunta-lhe quem lhe fez aquilo.
Pela primeira vez ouve-o produzir uma frase completa:
- O meu pai está morto!
A ternura e meiguice da sua voz marcam-na de tal maneira que lágrimas afloram-lhe aos olhos e toda ela se desfaz em choro.
Abraça-o e diz-lhe que está tudo bem, que está tudo bem. Já passou.
Para ele não.
Para ele mal tinha começado..